CNV: partindo do zero

CNV

Se todo mundo busca relações mais saudáveis, por que nem sempre nos dedicamos a isso? Essa é a abordagem deste post. Vamos falar, então, um pouco sobre o contexto da comunicação não violenta (CNV) nos relacionamentos pessoais e profissionais da nossa vida.

Então, neste post você vai saber o que é comunicação não violenta, como funciona, quais são os pilares e alguns pontos gerais dessa abordagem.

 

SOBRE A CNV

 

O primeiro ponto que você deve saber é que a CNV é uma metodologia fundada pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg. Assim, é um estudo construído por ele buscando proporcionar às umas pessoas uma forma de relação. Uma forma de mais conexão humana! Afinal, quem não busca isso? Todos nós desejamos relacionamentos mais saudáveis, isto é, viver a rotina sem tantos conflitos desnecessários, sem tantas brigas, sem jogos emocionais etc.

Marshall desenvolveu este trabalho considerando que vivemos numa sociedade que nos ensinou a julgar, e não a observar. Da mesma forma, nos ensinou a ignorar nossas necessidades em detrimento das necessidades dos outros e, às vezes, a ignorar os sentimentos dos outros para satisfazer os nossos. É uma sociedade complexa, paradoxal e, em boa parte das vezes, individualista. Nesse sentido, podemos entender a real urgência de uma comunicação mais humanizada, mais gentil, mais acolhedora, mais CONECTADA, não é?!

Por isso, a CNV é uma linha que nos guia em busca de relações equilibradas, em que um compreende o outro, em que todos saem ganhando por escutarem e serem escutados.

 

“A maioria de nós cresceu usando uma linguagem que, em vez de nos encorajar a perceber o que estamos sentindo e do que precisamos, nos estimula a rotular, comparar, exigir e proferir julgamentos.” (Marshall Rosenberg)

 

Leia mais: Comunicação não violenta e os conflitos na rotina

 

OS QUATRO PILARES DA CNV

 

Pra mim, a luta é que a não violência seja algo natural na rotina, sabe? Ou seja, que a gente não precise necessariamente pensar sobre ela, tentar usar a estrutura formal proposta pelo Marshall. Sem dúvida, quando isso acontecer, o mundo será bem melhor. Mas a gente precisa começar pelo NOSSO mundo, pelo nosso micro, pra mudar o macro! Assim, trabalhando com os quatro pilares, na nossa linguagem particular, adaptando pra que faça sentido no nosso contexto, conseguimos cativar e ser cativados, compreender e ser compreendidos, conversar de forma leve e ter relações que sejam benéficas para todos os envolvidos.

Dá uma olhadinha em quais são os quatro pilares:

 

1 – Observação

Em vez de julgar, devemos observar. Por mais difícil que pareça não julgar, devemos sempre ficar de olho nos nossos pensamentos. Auto-observação, então, é um ponto-chave pra praticar a CNV. Dessa forma, se eu vejo alguém fazendo barulho, por exemplo, não vou falar “você é muito barulhento sempre!”. Pelo contrário: se a pessoa é barulhenta ou não, é um julgamento meu. Talvez, para ela, não signifique ela é barulhenta. Então, eu vou observar o que está de fato acontecendo, de forma bem específica: “você está arrastando a cadeira no chão, o que faz barulho”. Percebe a diferença?

 

2 – Sentimento

A partir do que eu observo, eu noto um sentimento em mim. É preciso lembrar que meus sentimentos são minha responsabilidade. Com certeza fatores externos interferem no que sentimos, mas as outras pessoas NÃO SÃO a causa do que sinto. Pense assim: “você me faz sentir tristeza” é diferente deeu me sinto triste“. As pessoas não têm poder sobre nossos sentimentos. Precisamos, dessa forma, assumir a autorresponsabilidade por eles. Em relação ao exemplo citado, posso dizer:você está arrastando a cadeira no chão, o que faz barulho. Me sinto incomodada com isso”. É diferente de dizer “você me deixa incomodada“, não é?!

 

3 – Necessidade

Todo sentimento, assim, é oriundo de uma necessidade. Qual é a necessidade que tenho e não está atendida? Por que o barulho me incomoda? Porque eu tenho necessidade de silêncio, por exemplo, para poder trabalhar. Então, veja só:você está arrastando a cadeira no chão, o que faz barulho. Me sinto incomodada com isso, porque preciso de silêncio pra trabalhar“. Quanto mais específicos somos, mais transparência existe nas relações, e é isso que garante a conexão, a união, a compreensão entre pessoas.

 

4 – Pedido

Por fim, e um dos pilares mais importantes, temos o pedido. Observamos, sentimos, apontamos nossa necessidade. Mas como resolver a situação? Como deixar claro para o outro aquilo que queremos? Enfim, fazendo pedidos. E esses pedidos precisam ser claros, diretos, objetivos. Isso não significa ser rude, de forma alguma.

Até porque, na CNV, mais importa COMO falamos do que O QUE falamos. Por isso, seguindo nosso exemplo, temos:você está arrastando a cadeira no chão, o que faz barulho. Me sinto incomodada com isso, porque preciso de silêncio pra trabalhar. Você poderia trocar de cadeira?“. Simples, eficaz, honesto. Não há grosseria, não há crítica. Há apenas o fato, o sentimento, a responsabilidade e um pedido sincero, que não precisa ser considerado como invasivo. Afinal, seu tom de voz também vai colaborar para que seja algo sutil e natural.

 

COMPREENDER, PARA A CNV, NÃO É CONCORDAR, NEM DISCORDAR

 

Eu disse que a CNV é uma proposta de que haja mais compreensão entre as pessoas, certo? Mas não podemos confundir compreensão com concordância ou discordância. Quando compreendemos, é porque OUVIMOS para ouvir, e não para rebater ou responder. Assim, nessa linha, poderíamos dizer:eu compreendo o que você diz, apenas não concordo. Seu posicionamento é legítimo, assim como o meu“. A busca incessante por mudar a opinião do outro é invasiva, assim como nos perturba quando alguém tenta mudar a nossa.

Discussões e debates são saudáveis, necessários, e mudar de opinião é sempre válido. Porém, nunca devemos fazer isso por pressão, nem mesmo pressionar alguém para que mude. Isso é uma falsa compreensão. Para termos relações mais sinceras e honestas, precisamos jogar limpo de todas as formas. Isso inclui aceitar que nem sempre concordaremos uns com os outros.

E fazer isso envolve empatia. Lembrando, aqui, que empatia não é “se colocar no lugar do outro”, pois isso não é possível. Mas o que é possível é estar ao lado do outro, buscando ver o mundo pelo ângulo que ele enxerga. A gente gosta de receber compaixão, mas nem sempre oferecemos compaixão sincera. Então, fica aqui a recomendação de sempre olhar para o local em que o outro se encontra e tentar mudar sua perspectiva para compreender o que está acontecendo. E se você não se sente preparado para oferecer empatia, saiba que está tudo bem! Se eu não consigo dar empatia, é porque EU preciso de empatia. A gente só pode oferecer aquilo que transborda em nós.

 

Em resumo…

 

Existem 4 pilares na CNV: observação, sentimento, necessidade e pedido.

A necessidade por trás das palavras vale mais do que as palavras. “Isso é o que você fez. Isso é o que sinto; essa é a minha necessidade e é de XXX que eu preciso.”

Experimente viver a CNV. Experimente mudar seus relacionamentos por meio de ajustes na comunicação. Você vai ver como sua vida será ressignificada e suas relações serão muito mais saudáveis e leves!

 

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